quinta-feira, agosto 23, 2007

DITADURA DA MÍDIA

Por: Roberto Zaghini Jorge

Vivemos um tempo diferente, as coisas mudam muito rapidamente, mas existem valores que são eternos, nossa vida por exemplo então convido a uma rápida reflexão.
Já parou pra pensar porque você faz certas coisas, ou é movido a fazê-las?
Se pensar bem hoje vivemos um tempo em que a mídia dita as tendencias, praticamente força a barra oferecendo produtos e atitudes que muitas vezes não necessitamos e até nos incomoda. Não seria necessário gastar tanto com aparelho celular, muitas vezes pra falar coisas à toa, mas tem de ter uma conta mensal significativa e modelo de última geração.
Carro também entra pelo mesmo esquema e olha que os modelos duram cada vez menos, forçando uma troca mais rápida. Cerveja então? aquelas modelos de corpos bem definidos simulando beber aquela gelada bem gostosa, junto a rapazes atléticos. Na real nenhum deles bebem cerveja desta forma, ou seriam todos bem gordinhos e fora de forma.. mas convencem e hoje é possível ver gente na rua com latinha de cerveja na mão, no ônibus e até nos carros onde motoristas no calor abusam da sorte..
Há uma infinidade de outras coisas ditadas pela mídia, até banco, vejam bancos posam de poetas, como se fossem instituições dramaticamente preocupadas com o futuro das famílias. Ora são instituições voltadas exclusivamente a faturar cada vez mais e demitem muita gente, pais e mães de família para ter cada vez mais uma máquina enxuta faturando alto.
NO BRASIL SÃO AS EMPRESAS QUE MAIS FATURAM.. mas a mídia que é exatamente um balcão de negócios fecha acordos e se propõe a fazer o melhor da imagem dessas empresas e seus propósitos de divulgar seus produtos e vender cada vez mais.
ASSIM qualquer coisa que for exposta na mídia acaba tendo aceitação dentro de algum tempo. O PROBLEMA é que muitas vezes a preocupação dessas empresas não é atender o ser humano em suas necessidades, mas saber o que ele pode aceitar , adquirir para que possam vender muito e FATURAR O MÁXIMO POSSÍVEl.
ATé RELIGIÃO JÁ entrou neste ranking, vide exemplo dos "bispos" da renascer, onde um dos fundadores foi diretor de marketing de uma importante multinacional. Quer dizer ele sabe do caminho das pedras, e conhece como influenciar no ardente propósito de faturar.
É preciso ter mais cultura, mais ligação com DEUS à partir do interior de seu próprio coração, pra tentar distinguir o que realmente é importante e não se deixar levar por apelos que , na maioria das vezes apenas tem como objetivo fazer você CONSUMIR, CONSUMIR CADA VEZ MAIS, mas VOCÊ NÃO É UMA MÁQUINA DE CONSUMIR, é gente e gente precisa viver e se integrar com a natureza.
Grande parte deste processo de venda e consumo não se integram com a natureza proporcionando grande destruição, através de poluição e modo de vida artificial. Só pra lembrar um exemplo o que estaria sendo feito com tantas baterias de aparelhos celular? e o consumo de tanto combustível? e tantos e tantos produtos lançados na água que precisaremos limpar para beber?
TERÍAMOS DE ROMPER com inúmeros hábitos para viver uma vida mais saudável, mas seria também importante conhecer quem está por trás da mídia, que vem DITANDO regras e um modo de viver.

terça-feira, agosto 21, 2007

Vila São José; Passarela da democracia para ditadura?

Por: Roberto Zaghini Jorge
Que coincidencia, foi no final dos anos 70 que seu José MIguel, líder comunitário em vila São José, bairro da zona sul de São Paulo juntou-se a vários moradores e ao padre Paulo da igreja que fica no alto do morro para traçar estratégias em busca de uma passarela.

Foram inúmeras reuniões, sempre com a participação ativa do padre Paulo. Era o período do então presidente general João Batista Figueiredo o último da ditadura militar. Naquele tempo prefeito de São Paulo era cargo indicado.

Depois de alguma insistência, foram atendidos, a prefeitura decidiu construir ali uma passarela feita em madeira e que veio resolver um grande problema, a travessia da avenida senador Teotônio Vilela, que já naquele tempo , 1980 preocupava e causava acidentes. O próprio padre na época avisou; agora que voces tem a passarela basta usar, para aquele que morrer atropelado lá embaixo por que não usou a passarela, não faço nem missa de sétimo dia.. brincou..

Vinte anos depois, em 2000, o que era de madeira e muito usado foi se deteriorando, e novamente seu José Miguel juntou-se a outras pessoas, como dona Nelsi pra buscar melhoras naquela passarela, coisa que deveria acontecer naturalmente.

Em pleno período de "democracia" com prefeito eleito pelo voto direto do eleitor etc. e tal. juntos os moradores fizeram inúmeras manifestações: abaixo assinado, entrega do abaixo assinado à secretaria de obras, cartas a políticos, administração regional, que depois veio a ser chamada de sub prefeitura.

Até a Globo esteve lá e em duas ocasiões (em 2001 e 2002) focalizou a população que diante de um engenheiro representante da prefeitura transmitiu ao vivo e a cores suas reivindiações. O apresentador Chico Pinheiro prometeu inclusive cobrar as autoridades sobre a construção da nova passarela de concreto.

Na gestão da prefeita Marta, houve até promessa de construir a nova passarela em concreto, em duas ocasiões diferetes.. Em 2001, e 2002, mas aí a gestão democrática da "reconstrução" terminou.

Veio a outra administração do prefeito Serra, mas a passarela continuou deteriorada. Até que um sub prefeito,
José Augusto da Silva Ramos que era por uma dessas coincidencias da vida, da mesma cidade que o sr. José Miguel, CATENDE, em PERNAMBUCO, simplesmente resolveu retirar a passarela suprimindo assim em julho de 2005 aquele benefício conseguido ainda durante a ditadura militar pelo persistente seu José Miguel, o padre Paulo e outras pessoas persistentes da comunidade.

E de nada adiantou as reuniões com a sub prefeitura na tentativa de recuperar a passarela. Democraticamente decidiram suprimi-la e pronto.
Coincidencia é que um trecho de terreno onde terminava a passarela do outro lado da avenida senador Teotônio Vilela e que ficava ao lado de um posto de gasolina, acabou ficando para a advogada e dona de um posto de gasolina.. Ah também o ilustre sr. José Augusto candidatou-se alguns meses depois de ter retirado a passarela a deputado estadual, e coincidencia teve apoio daquela advogada dona do posto e beneficiária daquele pequeno trecho de terreno. Ela dedicou um out door para sua campanha. Enquanto isso atropelamentos sobre atropelamentos vinham ocorrendo naquela avenida e naquele trecho.

Reuniões democráticas com outro sub prefeito da capela do Socorro, não surtiram efeito.

Audiências públicas promovidas pelo ministério público de Santo Amaro,em agosto de 2006, foram as últimas tentativas de reaver DEMOCRATICAMENTE aquele benefício que um dia um prefeito indicado, E DURANTE UM REGIME DITATORIAL teve a sensibilidade de perceber que era necessário.
HOJE ainda HOJE em plena vigencia daquilo que pensamos ser uma democracia, seu JOSÉ MIGUEL deve estar relembrando sua luta para alcançar a primeira passarela para sua região.
De pensar que tanta gente como ele sonhou com uma democracia, e ver o poder ser usado deste jeito.. AINDA HÁ alguma esperança, o assunto está no Ministério Público. Também o prefeito da cidade de São Paulo, excelentíssimo sr. Gilberto Kassab foi notificado pessoalmente através de carta, em junho de 2007.
IMPRESSIONANTE é que as regiões vizinhas, com bairros de menor população, possuem passarela para travessia desta avenida. IMPRESSIONANTE é que esta avenida está sendo considerada hoje como o corredor da MORTE devido aos inúmeros casos de atropelamentos.IMPRESSIONANTE é que nas estatísticas o trecho onde foi suprimida a passarela de vila São José não aparece como local onde ocorrem acidentes.
IMPRESSIONANTE é que seu José MIguel assim com dona NELSI moram no alto do morro do jardim SÃO JOSÉ e observam quando acontecem acidentes e sabem que eles acontecem.
AGORA FICA A PERGUNTA: ATRAVÉS DO VOTO DIRETO ESTAMOS VIVENDO UMA DEMOCRACIA OU UMA DITADURA ?

sexta-feira, agosto 10, 2007

Vila São José: A história de uma passarela

Por: Roberto Zaghini Jorge


Deve ser mais uma dessas mazelas da política brasileira, impressionante neste caso é justamente o pouco caso com a população notadamente a mais humilde.
Há cerca de 7 anos a poupalação do bairro de vila São JOsé, zona sul de SP, um dos bairros mais antigos da região, luta por uma simples passarela. Pra se ter uma idéia a igreja católica localizada no alto de um morro, data de 1920 e alguma coisa, por aí .
POis é a população contava com uma passarela de madeira para atravessar a movimentada avenida senador TeotÔnio Vilela, que havia sido concedida àquele bairro aproximadamente em 1980, e em 2000 já com mais de 20 anos de uso estava bem deteriorada com buracos no piso..
Começaram reivindicar a construção de uma nova, aí rolou abaixo assinado, cartas a políticos, À administração municipal, secretaria de obras, sub prefeitura.. Até a Globo esteve lá e em duas oportunidades filmou a antiga passarela em estado precário.
Na gestão da então prefeita MArta Suplicy, houve até representante da secretaria de obras que prometeu ao vivo e a cores durante o SPTV, o início das obras. A primeira vez em 2001 e depois em 2002. MAs obras mesmo nada. Até o apresentador deste telejornal, jornalista Chico Pinheiro, havia prometido cobrar as autoridades. OCorre que a gestão terminou e nada. Ficou por isso mesmo.
Aí veio a outra gestão (Serra/Kassab) prometendo maior atenção com a população, e a passarela daquele jeito, cada vez mais caindo aos pedaços. Até que o subprefeito lendo matéria publicada num jornal da capital (Agora) sobre a deterioração daquela passarela, resolveu interditá-la.
Aí a população imaginou que se estava planejando a construção de uma nova.
Eis que pra suspresa geral simplesmente retiraram aquela passarela, e o tempo foi passando e nada. No local onde terminava a última rampa de travessia bem ao lado de um posto de gasolina, foram plantadas algumas palmeiras, uma jardinzinho, e a dona do posto toda comemorando o resultado de suas gestões junto aquele subprefeito, sr. JOsé Augusto.
Que coisa, reunidos numa comissão de moradores estiveram no gabinete daquele subprefeito, pleiteando a nova passarela, afinal já faziam mais de 20 anos que ganharam aquela, não seria justo, simplesmente levarem embora assim sem mais nem menos.
MAs foí o que acabou acontecendo. Em 2006, retornaram ao novo sub prefeito, sr. Valdir Ferreira que a exemplo do anterior pertencem a nova administração (Serra/Kassab). Nada ainda.
Conseguiram uma audiÊncia pública no ministério público de Santo Amaro, com a presença de moradores, representantes da prefeitura, da polícia, da comunidade, de promotores de Justiça, e tra lá lá lá... Todo mundo sabendo, reportagem de TV gravada e exibida pra todo mundo ver, gente do CET inclusive..
Fato é que desde a retirada daquela passarela, inúmeros acidentes vieram ocorrer naquela região, com atropelamentos e mortes.
A entrada do bairro fica entre duas descidas, sentido centro e sentido bairro, com motoristas que trafegam em velocidade elevada, muitas vezes com veículos já "estourados" em multas.
OS bairros vizinhos, bem menos populosos possuem passarelas: antes de São José, o bairro de São Rafael, e depois no sentido centro, Entrada do Grajaú, e parque das Árvores.
Agora a Vila São José,sem a passarela, e olha que se trata de um bairro bem populoso, ali tem banco, supermercado, drogarias, padarias, feira livre de sábado que pasmem, dura o dia todo, de manhãsinha até 5 e meia da tarde, é mole? E população que atravessa a avenida senador TeotÔnio Vilela de um lado pra outro, pra igreja, pro merado pras escolas, etc. e tal.
Falta de solicitações, de manifestações, reportagens, não foi, e até carta ao sr. prefeito, excelentíssimo Gilberto Kassab, houve todo tipo de tentativa. Entre inúmeras vítimas e tantos casos, a população aguarda que um dia resolvam devolver esta passarela, para que possam ter a opção de atravessar aquela avenida senador TeotÔnio Vilela em segurança.
Recentemente quando o jornal Agora resolveu publicar matéria sobre essa que vem sendo considerada o corredor da morte com o maior número de casos de atropelamentos, nem se quer citou o bairro de Vila São JOsé, foi como se o bairro não existisse. Dados estatísticos parecem que apontam casos de acidentes sempre em outros trechos, mas o que teria acontecido com o registro de tantas ocorrencias na Vila São JOsé , sumiram das estatísticas?
Deixar de falar da vila São JOsé é até um pecado.. notem que São JOsé, foi quem adotou o menino JEsus e o criou até a idade adulta. Quem será que anda tentando ocultar o nome deste bairro por aí? PRa não dizer que não foi citado, havia apenas uma nota do CET ao jornal afirmando que estudavam melhorias na rua Carta Magna. NOtem esta rua fica NA VILA SÃO
JOSé.

Será que o prefeito Gilberto KAssab vai atender este pedido e devolver a passarela pra esta população?
Eu mesmo, criador deste blog uma gota no oceano da internet, idéia de um cartunista muito gente fina, o Jean Pires. Valeu amigo, desejo que as mensagens aqui postadas possam transmitir algo de bom, um conhecimento, ou qualquer coisa que lhe acrescente informação. ESTA IDÉIA Só foi COLOCADA EM PRÁTICA, graças a existência desta idéia magnífica e revolucionária de criar BLOGS. Uma fórmula bastante democrática que pode estar revolucionando a internet.
Não sou de calcular o que transmito as coisas rolam como que psicografadas, um toque , uma inspiração, um conto, uma reportagem, uma idéia.
Agradeço a atenção, boa leitura. Abraços,
Roberto Zaghini Jorge

segunda-feira, julho 30, 2007

Acidente aéreo e inversão de valores

Por: Roberto Zaghini Jorge
O que fica cada vez mais evidente depois do acidente com air bus da Tam é a notória inversão de valores que hoje é corrente nesta sociedade pra lá de comercial. O que é sagrado hoje é o lucro, e a vida, fica em segundo plano, ou terá que se adaptar às necessidades do lucro.
O que eu entendo, mesmo não sendo um especialista em aviação, é que se existem duas turbinas com reversor, é porque esse reversor tem importância no momento de frear um avião ou então o fabricante não instalaria tal equipamento.
A empresa fabricante desta aeronave divulgou nota orientando para que todos pilotos que conduzam este tipo de aeronave utilizem as manetes no ponto neutro. Mas não teve a ousadia ou a coragem de orientar para que as empresas só autorizassem vôos com os dois reversores funcionando, talvez por que isto pudesse atrapalhar a necessidade de manter as aeronaves voando e faturando sempre, mesmo com algum risco.
A revista Veja, numa matéria duvidosa, ou sórdida, como já o fez no passado em relação ao cantor Cazuza, quando publicou em sua capa que o cantor agonizava em praça pública, tenta lançar a culpa pelo acidente sobre o piloto que teria cometido um erro ao deixar a manete na posição de acelerar. Tudo por uma matéria de impacto, ainda que de péssimo gosto, sórdida. Claro desta forma a revista atendo-se a orientação da fabricante do air bus, para que a manete permaneça na posição neutra, plublica que a culpa pelo acidente seria do piloto, alguém que já morreu e nem pode se defender. Fica mais fácil do que lançar a culpa sobre as empresas que forçam para que as aeronaves estejam em atividade, mesmo com um reversor travado ou pinado, e até da infraero e outras instâncias ainda mais poderosas que jamais poderiam ter liberado uma pista sem as ranhuras e até do que se vê hoje, um prédio de onze andares que coloca em risco o tráfego aéreo muito próximo do aeroporto de Congonhas.
O que podemos imaginar é que se a pista do aeroporto de Congonhas tivesse as ranhuras que deveria ter, inclusive devido ao seu tamanho e sem área de escape, e se o air bus tivesse com as duas turbinas e os dois reversores funcionando, este acidente provavelmente não teria ocorrico. É uma vergonha que hoje se tente lançar a culpa sobre um piloto, pra falar a verdade isto é uma grande COVARDIA, bem ao estido da grande imprensa sempre a serviço do poder e da grana.
Assim como podemos ver hoje em dia, a vida tem um significado inferior ao da necessidade de lucro constante, o que vem marcando nosso tempo, podendo propiciar ainda outras tragédias.

segunda-feira, julho 09, 2007

Jamais esquecerei de você

Fitava aqueles girassóis no vaso sobre a mesa, enquanto o sol da manhã impulsionava uma leve brisa, numa bela manhã de domingo. Como é bonito o Girassol, parece até o sol representado numa flor que às vezes guarda boas lembranças..

Conto: Jamais esquecerei de você

Por: Roberto Zaghini


As amizades durante a infância costumam ser muito intensas, envolvem muita energia é como se as crianças se reconhecessem como irmãs. Já ouvi falar sobre isso e pensei sobre a amizade da pequena Raquel de 10 anos, à época, com sua amiga Natália de 12.
Brincavam de casinha, de boneca, coisas de menina, mas Natalia também tinha responsabilidades, cuidava sozinha da casa enquanto seus pais trabalhavam. Às vezes ia à feira, preparava almoço para seu irmão mais novo, Natanael. Raquel acompanhava, aprendia e vivia aquela amizade intensa.
Um dia após ventar muito durante a noite, Natalia achou um filhotinho de Bem-te-vi que havia caído de uma árvore com ninho e tudo. Natalia, Raquel e Natanael arranjaram uma caixa de sapatos e ali colocaram areia, uns galhinhos de árvore com folhas e o ninho do pequeno Bem-te-vi. Ele se sentiu à vontade como se estivesse em seu lar e às vezes até se coçava com seu bico sem se preocupar com as pessoas à sua volta. Natalia e seu irmão eram baianos e o pequeno Natanael também de 10 anos falava com orgulho que era descendcente de índios, da tribo Tapuias. Um dia ele lembrou assim com ar assustador daquilo que sua avó havia dito algum tempo atrás:
- Se um dia a lua brigar com o sol o mundo pode acabar..
Raquel também ficou assustada quando contou o que ouviu do pequeno Natanael.
- Ainda bem que eles não brigaram disse seu pai, para alívio de Raquel.
Entretanto o destino um dia quis separá-los e Natalia recebeu de seus pais a notícia de que voltariam para Salvador logo no início do ano. Raquel pensou que iria perder sua melhor amiga, mas intensificou sua amizade brincando com sua amiguinha todos os dias. Trocaram fotos para guardar de recordação, e uma semana antes de Natalia partir, Raquel também viajou para Viçosa em Minas Gerais na casa de seu avô. Num mesmo dia antes de partir foi várias vezes na casa de Natalia para se despedir, era uma despedida atrás da outra, foli até divertido para elas que talvez ainda nem poderiam supor como seria a vida tão distante..
Raquel garantia que iria ver sua amiguinha no ônibus passando em Minas, seu pai explicava que seria praticamente impossível porque o ônibus de viagem passa apenas pela rodovia e não pela cidade. Como amizade na infância é mesmo intensa, durante um sonho Raquel viu sua aminguinha Natalia passando de ônibus sim e lá em Viçosa, deu tempo pra elas se abraçarem, desejar muita sorte uma pra outra e até ganharem dos passageiros emocionados alguns girassóis para guardar de recordação.
Como é linda a amizade entre as crianças, pensava enquanto olhava meio distante dali para aqueles girassóis num vaso sobre a mesa da sala. Artificiais, estes eram feitos de pano e plástico.

domingo, julho 01, 2007

Vamp Wind Surf na Represa Guarapiranga

A represa Guarapiranga ficou durante muito tempo, talvez uns dez anos ou mais, escondida atrás de muros num de seus mais belos trechos ao longo da antiga avenida Atlântica, a atual Robert Kennedy, foi uma idéia de girico cercá-la da visão pública e uma brilhante e maravilhosa idéia trazê-la de volta aos nossos olhares, ainda que de passagem ao longo da avenida, a nossa Atlântica, a Atlântica de Sampa.
Mas havia algo naquele ano de 2008 acumulado por muitos anos de maus tratos que ninguém talvez pudesse imaginar..


Conto: Vamp Wind Surf na represa Guarapiranga


Pouco a pouco os muros foram derrubados e tudo aquilo que obstruía a ampla visão da represa Guarapiranga foi sendo removido, ao menos num determinado trecho. Até que na primavera de 2008 ganhávamos de volta aquela paisagem da represa com direito aos relexos dos raios de sol e até o prateado da lua inspirando a conturbada vida no dia a dia de Sampa.
Foi numa manhã de outubro, início de primavera que autoridades como o prefeito de São Paulo, o sub prefeito de Capela do Socorro, o governador, secretários de meio ambiente, de obras, de infra-estrutura, etc e tal, marcaram encontro num trecho dessa pequena orla à fim de marcar o início de um novo período para a represa de Guarapiranga, de bons tratos, mais verde, projetos de recuperação.
Emissoras de TV, rádio e jornal, a imprensa em geral estava presente para registrar. Era uma manhã de sol com céu parcialmente nublado, até que ventos começam a soprar fazendo com que as nuvens encobrissem o sol. Alguns dentre a multidão espantam-se ao olhar em direção à represa e surgem os primeiros gritos, de espanto e surpresa..
- Olhem só, meu Deus, o que é isso?
- Cruz credo, Virgem Maria..
- Puta que pariu, olha só pra isto..
Avistando a represa sob um céu nublado começavam a submergir daquelas águas alguns wind surfistas que se pareciam com surfistas, maltrapilhos, as velas de suas pranchas estavam sujas e rasgadas e em algumas partes manchadas de sangue. Não eram figuras humanas tão pouco de nosso tempo, mas se juntaram e deslizavam pelas águas como abutres.
Alguns repórteres de TV se anteciparam pretendendo registrar o fato e aquela visão..
- Estamos aqui na represa Guarapiranga, onde haveria o lançamento de um novo projeto para recuperação deste manancial quando começaram surgir estas tenebrosas figuras..
Neste trecho um dos vampiros surfistas mostra o traseiro para a câmera e por trás da bermuda rasgada aparecem os ossos da região glutea..
Ao tentar repassar essas imagens para a emissora notaram que aquelas estranhas figuras não foram captadas pelas câmeras. O mesmo ocorreu com as fotos. De modo que ninguém conseguiu gravar qualquer imagem a não ser as que podiam ver diante de seus olhos..
Seria então uma imaginação ou delírio coletivo? Não, não era isso, os vamps surfistas, vários dentre eles com latas velhas penduradas às velas, deslizavam de um lado para outro numa imagem que contrastava com tudo que se poderia esperar de uma nova represa. E assim se passou aquele dia todo e os outros dias subsquentes. Infelizmente aquela data que seria um marco na idéia de recuperação daquela orla da represa Guarapiranga havia sido manchada.
Houve uma dispersão inicial, autoridades concediam entrevistas em seus gabinetes, a imprensa também deixou o local uma vez que não se podia registrar imagens.
Todos eram unanimes em responder que jamais haviam visto coisa parecida, e surgiram muitas opiniões a respeito e até novas sugestões..
- Vamos chamar o padre Marcelo..
E as idéias foram surgindo, queriam trazer pastores e até benzedeiras.. E foi um índio de uma pobre tribo guarani meio dispersa da região de Parelheiros que visitando aquele local apresentou um parecer que de alguma forma combinava com o que estava ocorrendo, já há mais de duas semanas.
- As águas que servem de beber ao povo são abençoadas e protegidas pelos bons espíritos da natureza, mas a poluição, os maus tratos, o lixo lançado nessas águas ocasionou muitas mortes, de pessoas que morreram afogadas, da natureza, le então obedecendo ao grande espírito protetor, todos os outros abandonaram essas águas e deixaram surgir essas sombras do mundo espiritual..
Esse foi um parecer, uma idéia que tinha muito a ver com o que vinha acontecendo, mas o índio não interferiu apenas apresentou sua versão. A solução tinha de ser apresentada pelos próprios homens brancos. Assim com a interferência dos religiosos brancos, inclusive o padre Marcelo Rossi, que reuniu uma multidão, aquelas criaturas foram sumindo, algumas desaparecendo simplesmente, outras inclinando suas pranchas para baixo submergindo nas águas de maneira mal educada fazendo gesto de banana.. Foram lançadas porções de sal grosso, de água benta, até que depois de uma manhã de rezas, as águas voltaram ao ponto anterior.. sujas, poluídas, mas livres daquelas sinistras figuras. Ao menos por enquanto diziam alguns.
O perigo era real, autoridades haviam presenciado, o assunto se espalhou, gerou tumulto e apreensão. O projeto de recuperação da represa Guarapiranga precisava ser ampliado, era preciso bem mais diziam especialistas, seria necessário instalar usinas de tratamento de água para evitar o despejo de merda e água poluída..
O sol ressurgiu inclinando no horizonte para onde muitos olhares se dirigiam em busca de esperança e proteção.

terça-feira, dezembro 05, 2006

ATRAVESSANDO..

Por: Roberto Zaghini Jorge
Publicado pela 1ª vez em Lembrei muito de você quando atravessei a rua sozinho pela primeira vez, os carros passavam e eu ouvia sua voz:
- Filho preste muita atenção quando for atravessar a rua, olhe bem para os dois lados..
- Eu olhava, até prestava atenção, mas gostava mesmo de ouvir sua voz.
Conto: Atravessando..
Por: Roberto Zaghini
Se há algo que o tempo não apaga são as boas lembranças, ainda mais quando se tratam de lembranças da mamãe.
Pensando bem, você tinha razão, eu corria olhando para o céu querendo alcançar as pipas com suas linhas cortadas pelo cerol, e nem sempre prestava atenção na rua.
Também corria feito louco quando.. Você lembra? É que eu e meus amigos pensávamos em ser bons jogadores de futebol, que a gente tinha um chute muito forte, só que a pontaria ainda não estava bem treinada, aí aquela vez do vidro da janela do banheiro..
Foi uma correria, mas meio sem jeito eu ainda voltei pra me explicar. No primeiro momento você estava nervosa, assustada, mas logo se preocupou com o jeito que todos saíram correndo na rua, inclusive eu.
Teve também aquela primeira cartinha que escrevi na escola em homenagem a mamãe e ela guardava com carinho: "Pra mim você é a pessoa mais bonita deste mundo, eu te amo".. Mas o tempo passou e o menino cresceu, e já homem feito atravessou cidades, o céu e o mar em longas viagens. Um dia voltou, mais perto de sua mamãe.
Mas, sabe como são as coisas, isto aqui também é uma passagem e um dia a mamãe atravessou para uma outra vida.
Em meio ao trânsito de São Paulo o menino homem aguardava o sinal para atravessar a avenida Paulista, na faixa de pedestres. Aproximava-se o dia das mães e havia muita propaganda espalhada pela cidade. Pintou o sinal verde, ele olhou para os dois lados e foi em frente, com um leve sorriso no rosto..

quinta-feira, novembro 16, 2006

A PRIMAVERA CHEGOU?


As flores começam aparecer enfeitando os lugares, numa rua aqui, noutra ali, uma árvore que antes só apresentava folhas verdes hoje está repleta de flores amarelas, é o sinal da primavera. Ela veio pra enfeitar, alegrar trazendo mais cores.
Conto: A primavera chegou?
Por: Roberto Zaghini
Acompanhamos as mudanças climáticas até sem perceber o sentido da mudança, quando nem se dá conta prono lá estamos no inverno. Uma blusa aqui, um agasalho ali e tome correria. Viver numa cidade grande como São Paulo representas muitas vezes não ter tempo nem pra olhar para ao céu e notar se há estrelas, se a lua está lá, se está cheia, ou meia. Se alguém lhe perguntar um dia:
- Você sabe que alua estamos atravessando agora?
Sinceramente você saberia responder?
As mudanças no clima vem no mesmo sentido, a maioria das pessoas está até a tampa de compromissos, preocupações e informações de todo tipo que nem sempre é capaz de notar o clima natural em que vive.
- Compre isso, cmpre aquilo, olha que promoção imperdível de geladeiras, e esse computador então.. Ah você vai deixar de vir aqui amanhã com uma moleza dessas ta tudo parcelado e com juros ó baixinho.. vem pra cá, vem comprar..
Você nem é máquina de consumir, mas é tratado assim. Normal para os dias de hoje, tudo tem que ser produzido e vendido e alguém tem de consumir.
O céu, a lua, o tempo e as flores não vão fazer qualquer promoção em doze vezes sem juros nem bater à sua porta através da TV ou do computador pra que você preste atenção e veja, absorva esta mudança. Você terá de notar por você mesmo, perceber e tentar acompanhar a mudança do clima. Os pássaros fazem isso com perfeição, cantam revoam, acasalam sempre de acordo com as mudanças do tempo. As plantas da mesma forma acompanham o tempo e a lua, elas sim sabem se o momento é de lua cheia, meia lua ou sem luar. Elas vivem perfeitamente acompanhando as mudanças do clima.
- Não perca só esta semana você vai poder assistir o homem Aranha em promoção nos cinemas.
- Anaconda dois, a serpente, o filme que você não vai esquecer.
E certamente também não vai usar pra nada, você já viu algum homem aranha na rua? E uma enorme serpente..?
Coisas inúteis, invadem sua consciência e de repente não há espaço até mesmo pra se perceber o que a natureza está apresentando pra você hoje.
Talvez seja por isso, por tantas coisas inúteis e vazias oferecidas num bombardeio diário e intensificado que nós muitas vezes, apesar das belas apresentações da natureza, continuamos num mesmo clima interior, beirando o inverno.